nem cheguei a falar do primeiro mês e já estou a "celebrar" o meu segundo mês desta aventura.
é a esta velocidade que o tempo passa, tão rápido que nem dá-mos conta... parece que ainda foi no outro dia que estava de malas e bagagens a caminho do aeroporto... e hoje...
| 07.01.2016 |
nunca cheguei a falar deste dia, do dia em que tudo começou. (bem, para dizer a verdade foi bem antes desta data, com todos os preparativos que uma mudança de país exige, mas tudo bem... o conta é o dia em que entrei naquele avião...). ´
o dia começou bem cedo... (muito cedo até se tivermos em conta que mal dormi durante toda a noite era tamanha a ansiedade). as malas já estavam pronta há dias (para que nada falhasse - acho que revi o que lá coloquei mais vezes do que as que eram necessárias).
o relógio marcava as 6 horas quando o despertador tocou (só para me avisar das horas mesmo, porque acordada já eu estava). toda a casa acordou comigo. um momento como este exige a presença de toda a família, como seria de esperar. em menos de meia hora estamos prontos a sair de casa (não porque tivesse pressa de sair de casa, mas porque as horas assim o exigiam). malas no carro, bilhete na mão, papá, mamã e maninho no carro (e eu é claro), e lá fomos nós a caminho do aeroporto francisco sá carneiro.
fomos demasiado cedo (tenho esta tendência de chegar aos aeroportos a anos luz da hora de embarque, não sei porquê). fui colocar as malas para o porão (procedimento habitual que não tem nada que se lhe diga), e dei-me ao luxo de me sentar junto à minha mãe, de cabeça encostada ao seu ombro, fechar os olhos e por momentos desejei poder ficar ali, assim para #sempre. não podia, e eu sabia disso. a prova disso mesmo é que as horas passaram e aquele momento chegava finalmente. "está na hora", disse eu. se vos disser que até aquele momento não tinha vertido uma lágrima que fosse talvez não acreditem, mas é verdade. andei a fazer-me de forte e tinha prometido a mim mesma que não o iria fazer (afinal qual era o sentido disso? eu só ia mudar de país, ia mudar para algo melhor... qual a razão para chorar?). mas a promessa foi quebrada no momento daquele derradeiro abraço ao papá, à mamã e ao maninho. é inevitável. não saber quando é que irei poder vê-los e abraçá-los novamente... e assim começam as saudades, naquele exato momento em que saímos dos braços da nossa família e entramos por aquela porta...
| 07.03.2016 |
há dois meses atrás entrei pela porta da "aventura", do desconhecido. tudo era novo para mim. novo país, nova casa, novo trabalho, novas pessoas ao meu redor. digamos que nestes dois meses que já passaram houve espaço para tudo - para rir, para chorar, para viver, para querer fugir - é difícil de explicar, e eu tenho um problema enorme em nem sempre conseguir expressar o que sinto (bad for me). o inicio é tudo muito bonito, admito. é tudo novo, todos os dias é uma descoberta (e ainda o é passados dois meses). tudo fascina. mas não posso ignorar o óbvio... aquilo que surgiu naquele dia 7 de janeiro quando entrei por aquela porta... as saudades.
as saudades é o que me trama. quantas são as vezes que me vejo a olhar para as fotografias que trouxe comigo, para as palavras que os meus amigos naquele caderninho especial e até mesmo para o video que "os maiores" fizeram para mim e as chamadas via skype (o meu mais recente melhor amigo) ou aquelas chamadas por telefone que acabam por durar horas... acreditem que tem um efeito positivo em mim, apesar da vontade enorme que nesses momentos tenho em "fugir" daqui, todas essas pequenas coisas me dão força e a motivação que preciso para continuar...
não é fácil estar longe de casa, longe da família, longe dos amigos, das pessoas que amamos, longe de tudo aquilo que ao longo da minha ainda curta existência reconheci como sendo a minha realidade. mentiria se dissesse o contrário.
se estou arrependida? não estou. não estou pelo simples facto de que sei que tomei a decisão certa, a melhor decisão para mim. eu precisava disto, por isso é que não me arrependo.
e é com um misto de sentimentos, que hoje estou aqui a "celebrar" o meu segundo mês por terras de sua majestade, com a certeza de que mesmo com todas as mudanças, tudo continuará a ser #sempre como era antes.
with love,